
21/7/2004
Pesquisa com 231 empresas aponta distância entre discurso e prática
Apesar do discurso, a cultura da Responsabilidade Social ainda não está de fato impregnada nas empresas. É o que sugerem os resultados de um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) a partir dos balanços sociais apresentados por 231 empresas no Brasil entre 2000 e 2002 - e que compõem o banco de dados da instituição (www.balancosocial.org.br).
A pesquisa mostra que, mesmo entre as empresas que se dizem socialmente responsáveis, o número de acidentes de trabalho vem crescendo (de 21 para 30 em cada mil empregados), a porcentagem de negros e mulheres em cargos de chefia ainda é irrisório (4% e 16,4% respectivamente) e a participação dos empregados na definição dos projetos corporativos nas áreas sociais e ambientais é baixa (somente 13% das companhias dizem que há participação).
As empresas que compõem o universo pesquisado somam receitas anuais totais de R$ 550 bilhões (34% do PIB brasileiro). Os balanços sociais analisados foram exclusivamente os que seguem o modelo do Ibase. "O discurso é um e a prática é outra", constata João Sucupira, coordenador da área de Responsabilidade Social e Ética nas Organizações do Ibase. "Mas, após sete anos de campanha a favor do balanço social - o balanço do Ibase foi lançado em junho de 1997 - é inegável que existem avanços. Há mais transparência: a porcentagem das empresas dispostas a informar sobre o número de trabalhadores negros, por exemplo, dobrou em três anos", diz.
Perguntas & Respostas
Qual foi o universo do levantamento?
O levantamento foi realizado a partir de uma base de dados composta por 561 exercícios de Balanço Social (BS) de 231 diferentes empresas (fundamentalmente, médias e grandes corporações) que atuam no Brasil e publicam BS anualmente, utilizando o modelo sugerido pelo Ibase. Os balanços sociais trazem diversas informações. Na pesquisa foram analisados os seguintes aspectos: trabalhadores negros e mulheres no total de pessoal efetivo e em cargos de chefia, participação de empregados na definição sobre os projetos sociais e ambientais, porcentagem de empregados terceirizados, número de acidentes de trabalho por mil empregados.
Qual o período desta análise?
Este trabalho foi realizado em junho de 2004 a partir de uma análise comparativa dos exercícios 2000, 2001 e 2002 de empresas que realizaram seus balanços no modelo sugerido pelo Instituto. Em 2000, foram 115 empresas, em 2001, 133 empresas e em 2002, 180 empresas. No total, 231 diferentes empresas apresentaram balanços nestes últimos anos. Os balanços referentes a 2003 ainda não estão consolidados, já que as empresas os publicam ao longo de 2004
E quais são os resultados?
1- Trabalhadores negros: o percentual de trabalhadores negros nas empresas passou de 8,5% em 2000 para 13,7% em 2002. Já o percentual de negros em cargos de chefia manteve-se praticamente estável: 3,7% em 2000, 3,0% em 2001 e 4,3% em 2002.
Interpretação: a proporção de negros no total de pessoal aumentou, mas não chegou a 15%. Ainda é muito baixa, caso se lembre que a população brasileira é constituída de 45% de negros (as), incluindo nesta classificação pretos (as) e pardos (as). O quadro de injustiça torna-se ainda mais dramático quando se observa o percentual de cargos de chefia ocupados por negros (as): 4,3%.
2- Mulheres: a partir do número total de funcionárias e funcionários nas empresas analisadas temos a seguinte evolução percentual: em 2000, 28% das pessoas ocupadas eram mulheres (72% homens), em 2001, 29% dos postos analisados pertenciam as mulheres (71% aos homens). Já em 2002, 31% dos postos estavam ocupados por mulheres (69% por homens). Na hierarquia das empresas, a situação da mulher é ainda mais difícil. Em relação aos cargos de chefia e/ou gerência a evolução é

CONTATO
Nome: Rogério Pacheco Jordão
Fone: 21 2557-0652
Empresa: Linhas e Laudas
Pauta incluída por: Rogério Pacheco Jordão
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