
21/6/2007
Especialistas evidenciam urgência de reverter aquecimento da Terra
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Autor: Alfried Karl Plöger *
No Dia Internacional do Meio Ambiente — 5 de junho —, Achim Steiner, subsecretário-geral da ONU e diretor-executivo do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), referendando os dois últimos relatórios da instituição relativos ao aquecimento terrestre, salientou que a data, em 2007, “foca os desafios enfrentados pelas pessoas e o ecossistema do Ártico e do Antártico como resultado de uma rápida mudança ambiental e climática. Fazendo isto, também forma um link com um mundo maior, onde geleiras estão diminuindo e o aumento de eventos climáticos extremos está desencadeando estiagens e avalanches mais freqüentes”.
O especialista lembra, com pertinência, que essas regiões, aparentemente remotas, “ilustram bem a interconectividade de toda a vida no Planeta”. De fato, observa, estamos mutuamente dependentes e ligados a paisagens e ecossistemas próximos ou distantes de nós. Os fenômenos no Ártico e Antártico podem ser sintomas de que o clima da Terra está começando alertar sobre o real perigo representado pelo aquecimento.
Todas essas constatações evidenciam, com meridiana clareza, que não se pode mais ficar apenas no discurso, como se preconiza agora, com a proposta de estabelecimento de soluções em um prazo de 50 anos. Concordar com tal tese, que interessa a países com economia forte, tecnologia atrasada, ousadia comercial e desprezo pelo ambiente e também a algumas poucas nações desenvolvidas que renegaram o Protocolo de Kioto — significa assinar a sentença de morte dos ecossistemas terrestres. É preciso, sim, seguir o que recomendam os relatórios da ONU, de estancar as emissões de gases do efeito-estufa e investir algo em torno de 3% do PIB mundial em saneamento e recuperação ambiental.
A boa notícia é que o problema tem solução, ficando, apenas, na dependência da vontade política de alguns governos. Enquanto isto, contudo, a iniciativa privada, incluindo as entidades de classe, não podem ficar de braços cruzados, à espera da decisão dos gabinetes oficiais e de complexos acordos multilaterais. É preciso arregaçar as mangas e ir à luta pela preservação do Planeta, numa imensa corrente cívica de proteção à natureza. Produção limpa, práticas ecologicamente corretas e consciência ambiental são essenciais em todos os setores de atividades, como vem fazendo há tempos o setor gráfico brasileiro, inclusive com iniciativas e apoio de sua entidade de classe, a Abigraf.
O pleno engajamento da sociedade na luta pela reversão das mudanças climáticas e proteção à vida é imprescindível. Sem esse amplo processo mundial de mobilização será muito difícil enfrentar um dos mais agudos e graves desafios da presente civilização. É preponderante ter a mais absoluta consciência de que todos são responsáveis por evitar o caos. Afinal, será inútil gritar “parem o mundo que eu quero descer”.
* Alfried Karl Plöger é presidente da Regional São Paulo da Abigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica)

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