Agência de Pautas da Responsabilidade Social
Bem-vindo ao site PautaSocial.com.br

Receba, diariamente, o conteúdo da Pauta Social por e-mail:


Se você já é cadastrado, informe seus dados abaixo para dar login:

E-mail:
Senha:




 

  ARTIGOS


14/7/2010

 É CHEGADA A HORA DE COMPOSIÇÃO EM TORNO DA INFÂNCIA

Nova resolução da Anvisa representa avanço

Autor: Isabella Henriques e Daniela Trettel *


No último dia 29, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou a Resolução nº 24, que trata  da publicidade de alimentos com alto teor de açúcar, gorduras saturadas e trans, sódio e de bebidas com baixo
valor nutricional. A Resolução determina que daqui a seis meses os anúncios desses produtos sejam acompanhados de alertas informativos sobre os riscos à saúde do consumo em excesso.


A inovação dessa nova regra da Agência representa um grande avanço para a sociedade brasileira, que segue uma tendência mundial ao reconhecer a forte influência da comunicação mercadológica no aumento do número de casos de obesidade e doenças crônicas relativas ao consumo excessivo de sal, açúcar e gorduras. É verdade que a Resolução teria sido muito mais efetiva se mantivesse o texto original que estava em discussão desde 2006 e possuía uma série de dispositivos relativos à proteção específica do público infantil, sabidamente hipervulnerável aos apelos da publicidade e do consumo, em especial no caso das guloseimas.

Ainda assim, apesar  de ser necessária a atenção da Anvisa para a questão específica do público infantil, é de extrema importância o respeito integral à Resolução publicada.

Infelizmente, nessa fase do processo, já com a  Resolução publicada - e depois de ter participado ativamente das etapas anteriores, inclusive valendo-se do processo notadamente democrático fomentado pela Agência - o
setor regulado, representado pela Associação Brasileira da Indústria Alimentícia (Abia), preferiu manifestar sua indignação com a regulamentação  da publicidade de alimentos, questionando a competência legal da Anvisa para tratar do tema.


O assunto é polêmico e em outras ocasiões, no tocante à publicidade de cervejas e de medicamentos, já foi objeto de discórdia e de provocação. Contudo, é importante que se diga que o setor regulado não está preocupado em garantir preceitos constitucionais ou defender a Carta Magna. Quer sim impedir a Anvisa de atuar no âmbito da regulamentação da atividade publicitária, seja ela relativa a qualquer produto ou serviço. Cervejas, remédios, alimentos. Não importa. O setor regulado não quer o Poder Executivo ousando imiscuir-se nesse assunto.

Mas se não quer regra, regulamentação, verdade seja dita, também não quer norma, lei ou decreto. Nem sentença judicial. Ora questiona o fato de hoje tramitarem no Congresso Nacional centenas de projetos de lei que prevêem alguma norma sobre a publicidade, seja ela qual for - e luta bravamente para que nenhum deles seja aprovado. Ora diz que a Anvisa não tem competência
para regulamentar essa atividade comercial. Ora alardeia que não deve o Poder Judiciário preocupar-se com o assunto porque, afinal, a autorregulamentação do setor seria suficiente e bastaria para manter a atividade publicitária sob controle.


Então vale a pergunta: há no país uma atividade comercial que não se subordine ao Poder Legislativo, Executivo ou mesmo ao Judiciário? É isso mesmo? Pois é isso que o setor e a autorregulamentação brasileira querem e
têm defendido. A boa notícia é que ainda vivemos em um Estado Democrático de Direito, no qual os três poderes da República devem ser respeitados por todos. Inclusive pela atividade econômica publicitária. E é por isso que está na hora desse tipo de posicionamento institucional mudar. Está na hora das organizações de classe, do setor regulado e da própria autorregulamentação se conciliarem. Sentarem à mesa para efetivamente discutir propostas e não se manterem refratários a mudanças.


Se o país que todos desejamos - e aí se incluem os profissionais que estão à frente dos grandes conglomerados anunciantes e das agências publicitárias -
é um país que respeita seus cidadãos e que protege a criança como seu bem maior por ser o futuro da nação, é importante que se deixe de lado a busca desmedida pelo lucro e as discussões de caráter ideológico. O que se propõe não é, em hipótese alguma, o fim da publicidade, mas uma mudança de paradigma em relação à forma como tem sido feita atualmente. A questão aqui não é ver quem ganha a discussão, mas garantir que o ganho será da sociedade e da infância brasileira. Se não for assim perdemos todos -  as crianças, a sociedade, o mercado e o país.


* Isabella Henriques é advogada e coordenadora geral do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana e Daniela Trettel é advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec)


CONTATO

Nome: Não informado
Fone: Não informado
Empresa: Não informada
Pauta incluída por: Redação
Clique aqui para maiores informações

  OUTROS ARTIGOS


ECONOMIA VERDE, INCLUSIVA E RESPONSÁVEL

O caminho adiante para as empresas no século 21
Autor: Paulo Itacarambi

ELEITOR! CADÊ SUA MEMÓRIA DE ELEFANTE?

É hora de procurarmos identificar os candidatos
Autor: Ronaldo Sindermann

EDUCAÇÃO CONTRA CULTURA

Escolas temem cultura, porque estão inchadas de política partidária
Autor: Demétrio Sena

DO QUE DEPENDE A SOBREVIVÊNCIA DA LEITURA?

Desafio da leitura ainda é como uma busca no acesso aos bens culturais
Autor: Lucio Carvalho

CONSERVAÇÃO COMO PRIORIDADE

Não basta criar unidades de conservação. É preciso implantá-las
Autor: Maria de Lurdes Nunes



hoje todas